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12.19.2005 |
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As coisas
Os coroas adoram enaltecer o "tempo deles". Dizem que no tempo deles era tudo melhor e mais bonito, que no tempo deles as pessoas eram mais amigas, mais livres e no tempo deles a vida era mais fácil e sossegada. Dizem que bom mesmo era no tempo da ditadura, olha só essa bagunça e essa corrupção que está nesse governo do PT. Dizem que bom mesmo era o tempo que as crianças jogavam bola e brincavam de boneca, enquanto hoje em dia só querem saber de computador, tóchicos e sexo precoce. No tempo deles havia música de verdade, não essa baixaria do pagode baiano e do funk carioca. Tempo bom é sempre o que já passou, o que nunca mais vai voltar. Coroas vivem com saudade do tempo que consideram "deles". Como se o tempo pudesse pertencer a alguém além dos deuses.
Eu particularmente acho que não existe tempo de ninguém. Mas existe o momento em que você está à vontade com o mundo. As coisas mudam e de repente você passa a não se sentir mais parte das coisas. Então aquele tempo não é mais seu. Triste isso. Deve ser. Porque nesse sentido eu me considero uma privilegiada: não tenho saudade de tempo nenhum. Se pudesse retornar ao passado, voltaria a fatos isolados: um carnaval em Olinda, um beijo, um show, o dia que ganhei meu cachorro agora falecido, uma viagem, um abraço, um colo, um encontro, um amigo... Mas nunca à uma época inteira. E sou privilegiadíssima por não precisar ter saudade de uma época inteira, pois nunca nenhuma época se compara a que eu estou vivendo agora. Muitas pessoas foram embora esse ano. Nossa, muitas pessoas MESMO. Queria que todas elas voltassem (tá bom, a maioria delas pelo menos), mas queria que elas voltassem pro agora, não que eu queira voltar pro antes.
Não sei se vocês sabem, mas essa palhaça aqui é devota de Shiva e eu me ajoelho diante Daquele cuja história me ensinou a valorizar cada mudança como uma oportunidade de evolução, sem me lamentar, sem voltar atrás em busca do que já não existe, sem ficar parada no meio de lugar nenhum. Tempo bom pra mim é esse, Rio bom pra mim é ESSE. Mesmo andando com medo na rua, mesmo perdendo colega de infância pro tráfico, mesmo tendo ônibus incendiado perto do bairro onde eu cresci. Rio bom pra mim é agora, esse mesmo do funk pornográfico e da guerra civil. Porque, mesmo tendo morado aqui durante onze anos, essa é a primeira vez que eu vejo o Rio cara a cara, que eu me sinto bem na cidade onde nasci. E o meu saudosismo que me diverte nessa moda ploc é estranho. É um saudosismo meio que aliviado. Tipo "Naquele tempo eu era daquele jeito né? Nossa, como eu sou melhor agora". As coisas mudam. As coisas evoluem. E eu só lamento por quem "tem" um tempo que não existe mais e nunca mais vai existir. E sou privilegiada porque meu saudosismo me lembra o quanto o AGORA é melhor em todos os sentidos e isso me alegra e dá esperança de que o futuro seja melhor ainda. Com a graça de Shiva, o destruidor. |
posted by Arlequina
@ 9:11 AM

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12.10.2005 |
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PÁRA TUDOOOOOO!!! Feliz dia do palhaço e um beijo pra todos os arlequins, pierrots e colombinas dos palcos e carnavais da vida... ...e um pau no cu dos palhaços de circo. |
posted by Arlequina
@ 4:56 PM

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12.09.2005 |
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Me liga quando chegar
Eu notei que é um costume aqui no Rio dizer um "me liga quando chegar" sempre depois do "tchau". Virou mais uma coisa ligada no piloto automático do carioca, como andar com dinheiro pra dar pro ladrão caso seja assaltado (porque se tiver sem grana toma tiro), tirar o relógio quando entra no ônibus e saber os horários menos perigosos pra passar em certos lugares de carro, ônibus ou metrô. Uma coisa natural. "Essa hora é ruim de pegar a linha amarela. É melhor deixar o carro aqui e ir de metrô. Tchau. Quando chegar me liga.". Virou um costume do carioca ligar pros parentes e amigos preocupados TODA vez que chega em casa, só pra avisar que chegou bem, sem ser assaltado, seqüestrado, achado por alguma bala perdida e/ou incinerado em algum ônibus. Ou não.
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Tão de saco cheio das minhas observações sobre o Rio? Então fudeu, porque eu vo ficar aqui até janeiro. :P |
posted by Arlequina
@ 9:19 PM

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12.04.2005 |
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O cúmulo do tédio:
Sabia que a Praça é Nossa agora passa domingo de tarde?
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Meus amigos foram embora, meu namorado foi embora, meu dinheiro foi embora. O Rio tá com cara de infância de novo: sem graça. Pelo menos ainda me restam um tio português que receita "óleo de peixe elétrico" pra dor nas costas do vizinho, uma tia que me mima, uma prima que me escuta e um primo palhaço. Poucas coisas se salvam no meu Rio com cara de infância. Mas por hora elas bastam pra que eu não enlouqueça de tanto fazer nada nesse buraco chamado Rocha Miranda.
Preciso de dinheiro. |
posted by Arlequina
@ 1:43 PM

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