10.26.2005

 
- Olha a ficha!
- Anh?
- Caiu.

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Veredicto

Culpa é um sentimento cristão. Nunca procurei ler algum estudo filosófico ou antropológico sobre a culpa, então posso estar falando alguma besteira. Assim como filósofos e antropólogos também falam. Não importa.

Pra mim, o cristianismo é uma religião que baseia sua doutrina na culpa, ainda que inconsciente. Um grande salvador morreu por causa dos nossos pecados, logo somos sempre grandes culpados pela morte de Deus. E a libertação está na compaixão, na bondade, na caridade, no velho amor ao próximo. Então não quero saber agora se algum ser humano na época A. C. sentiu culpa por qualquer motivo, mas essa que sentimos hoje, na nossa sociedade, é um sentimento essencialmente cristão acatado como um padrão de vida. Ainda que pelos não-religiosos.

É assim que essa mesquinharia ridícula nos torna altamente merecedores de toda piedade e ao mesmo tempo de toda punição do mundo. Porque enfiam na nossa cabeça que nossos problemas não são nada, absolutamente nada, perto daqueles que sofrem de mazelas maiores. O círculo vicioso continua girando e temos que sentir culpa até mesmo porque sofremos. Como somos egoístas, ingratos, arrogantes, insensíveis! E somos eu, você, sua vizinha, seu tio, seu marido, todos, todos egoístas porque lamentamos a vida enquanto tanta gente tem motivos maiores pra sofrer. E a saída? A saída é sempre a compaixão. A maldita compaixão. Somos todos sofredores obrigados a ter humildade de admitir que nosso sofrimento não é nada e a carregar compaixão de um mundo inteiro que sofre muito mais do que nós.

E a maldade pior, a grande crueldade herdada pelo cristianismo, de acordo com a minha opinião, é essa história de tentar confundir culpa com consciência. A eterna obrigação de amar como Jesus ou qualquer outro mártir-deus amou, de retribuir o que ganhamos, mesmo quando foi "dado sem esperar nada em troca", mesmo quando isso transcende nossos limites que, como reles humanos, temos todo direito de ter. Agimos guiados pela sensação de que há sempre um juiz observando se nossos atos vão ser considerados certos ou errados. E esse juiz pode ser seu pai, seus vizinhos, sua família, seus amigos, seus inimigos, seus empregados, seu anjo da guarda, seu jesus cristo, sua vaidade, sua culpa. E, quando questionamos nosso juiz, vivemos a angústia de termos que decidir por conta própria o que é mais sensato a fazer. Juiz imbecil que não sabe de nada, eternamente confundido com bem mais supremo que uma pessoa pode ter: a consciência.

Então nesse caso o banco dos réus é um lugar até confortável. Admite-se no confessionário o que se fez e o que se sente de errado, muito errado, paga-se uma penitência, uma fiança, cumpre-se uma pena e segue a vida prometendo não errar mais. Quando se consegue o perdão da vítima então, nossa que maravilha! A grande libertação da culpa, o caminho para evolução.

E o direito de sofrer? O direito de ser fraco, mesquinho, egoísta, o direito de fazer sofrer? Sofrer por uma besteira mesmo, porque a unha quebrou, porque o amigo não disse tchau, porque o sol está muito quente. Sofrer genuinamente, porque existe dor, porque existe motivo, não por uma simples necessidade de atenção. Sofrer porque é humano. E o direito de sofrer sem precisar sentar no banco da vítima? E o direito de querer fazer a coisa certa, a coisa que EU achei certa, que era certa pra mim, naquele momento, porque a consciência, não a culpa, mandou? E o direito de ter dificuldades de lidar com isso depois? Eu não tenho?

Porque aí vem a parte mais difícil de qualquer decisão: o depois. Aprender a desligar o botão da culpa e da compaixão, se aceitar como um humano e entender que as decisões tomadas pela PRÓPRIA consciência trazem conseqüências que não são fáceis de agüentar. Aprender a fazer isso e não voltar atrás. Até porque, na maioria das vezes, quando se volta atrás, só sobra a culpa mesmo. Essa maldita.

--

Vai com os deuses, neném.

posted by Arlequina @ 1:00 PM   0 comments
 





10.24.2005

 
Sabedoria Oriental

Um sacerdote budista, um sacerdote hindu e um arlequim conversavam no Himalaia sobre dor e sofrimento.

- Na verdade o sofrimento acontece quando há desejo e apego. Livre-se das paixões que você será libertado de toda a dor, disse o sacerdote budista.

- Não. O sofrimento acontece quando há ilusão e o Shiva Nataraja dança destruindo o véu de Maya. Livre-se da ilusão que você será libertado de toda a dor, disse o sacerdote hindu.

- O sofrimento vem de dentro do ser humano. Assim como as paixões, o desejo, a ilusão. Livre-se disso tudo e vire uma ameba, afirmou o arlequim.

- Discordo.

- Eu também.

- Então chupem rola.
posted by Arlequina @ 12:26 PM   0 comments
 






 

"'Se manda, Arlequim', ele murmura silenciosamente, para não ofender Missy e seu doutor. 'Não venha criar problemas aqui'".

"'Fique quieto. Eu causo problemas onde quiser', digo a ele. 'É a minha função'. Mas, no momento, sinto um vazio se abater sobre mim. Eu sou esperançoso, quase como um Pierrô, o que é péssimo para um Arlequim".






Comprei hoje.

posted by Arlequina @ 12:36 AM   0 comments
 





10.22.2005

 
Eu sempre soube que baiano não poderia ser coisa de deus...

http://www.tabernaculonet.com.br/subliminar/musica/artigos/ivetesangalo/index.html

http://www.tabernaculonet.com.br/subliminar/musica/artigos/bandaeva/index.html
posted by Arlequina @ 7:40 AM   0 comments
 





10.14.2005

 
Acabei de dar um outro check up geral
na situação
o que me levou a reler
Alice no País das Maravilhas
Acabei de tomar meu Diemdrops,
meu Disconel e outras pílulas mais.
Duas horas da manhã, recebo nos peito um TroftPruft 25
e vou dormir quase em paz.

E a chuva promete não deixar vestígio...*


:)

*check up - raul seixas
posted by Arlequina @ 1:27 AM   0 comments
 





10.13.2005

 

referendo

( ) sim
( ) não
( x ) foda-se

enfia sua demagogia no rabo porque eu nunca decidi nada de verdade nessa porra.
posted by Arlequina @ 12:47 PM   0 comments
 





10.12.2005

 
Eu tinha apagado o meu orkut. Passei um tempo da minha vida muito feliz e satisfeita sem a menor necessidade daquele troço. Aí alguém me convenceu a voltar. Agora o site tá fora do ar (veja só que novidade!) e eu to clicando em "atualizar" de cinco em cinco segundos feito uma doente.

Por que perder tempo vicia?

---

Evolução Espiritual Express

PRIMEIRO ATO:

O Arlequim larga um tapão na nuca do Pierrot e diz: "PEDAAALA, PALHAÇO!".




Então. Cadê ele, o Arlequim? Cade você, palhaço fanfarrão?? Esse negócio de ser Pierrot é MUITO chato.

-Hã?
-Nada não.
posted by Arlequina @ 4:18 PM   1 comments
 





10.10.2005

 

O propósito desse blog nunca foi fazer qualquer apologia à minha vida pessoal ou a sentimentos muito profundos. Mas eu sou inconstante e to de TPM então que se foda o propósito desse blog porque eu tenho que fazer um desabafo se não vou morrer.

EU SOU ABSURDAMENTE CIUMENTA!

E não sou uma ciumenta comum, à moda antiga. Não. Eu sou cruel. Não gosto de ser a única na vida de ninguém porque isso não tem a menor graça. Tem um espaço vazio ali, eu chego lá e preencho. Grandes coisas, qualquer um pode fazer isso. Ser única é muito fácil. O legal é ser a melhor. Pois é, eu quero ser SEMPRE SEMPRE SEMPRE a melhor de todas as pessoas que fazem parte da vida de quem eu gosto. E quanto mais pessoas, mais eu me sinto bem, porque isso teoricamente significa que eu sou muito melhor do que MUITAS pessoas. Então eu tenho que ser a melhor amiga, a melhor sobrinha, a melhor confidente, a melhor namorada, a melhor colega, a melhor ficante, a melhor. Então não tem a menor importância que meus amigos e meu namorado encham a vida deles de todo tipo gente, desde que fique bem claro que a gente mais importante SOU EU. E o mundo perfeito pra mim é aquele onde todo mundo me venera e me adora e faz as minhas vontades simplesmente porque eu sou legal.

E se eu não me sentir indispensável, insubstituível, necessária na vida do pequeno número de pessoas realmente importantes pra mim, eu fico doente e quero morrer. Só que eu tenho plena consciência do quanto isso é ridículo e patético. PLENA CONSCIÊNCIA. Por isso evito dar pití e engulo meu ciuminho com sorrisos simpáticos pra não parecer uma menininha mimada. Então vai acumulando e eu tenho crises secretas e obsessivas de carência que pioram sempre na TPM e um dia vão virar câncer.

Eu posso literalmente morrer de ciúmes um dia!!

E outra coisa. Eu também tenho ciúmes de Fernando Pessoa. Quem nêgo pensa que é pra sair citando Fernando Pessoa por aí? Fernando Pessoa é MEU deus, MEU poeta, MEU amigo imaginário. MEU! ODEIO quando gente BURRA e MEDÍOCRE enche a boca pra dizer "Tudo vale a pena se a alma não é pequena". Ooooh grande citador de poesia! Mas pouca coisa no mundo que me irrita mais que Skank. Como se a banda não fosse ruim e chata o suficiente, eles ainda têm aquela música babaca e non sense, sabe qualé? "Os deuses vendem quando dão... É bom, saber... blábláblá E quanto à mim, te quero sim, não vem dizer que vc não sabe..." Pois a frase "Os deuses vendem quando dão" foi ROUBADA DESCARADAMENTE de uma poesia do Pessoa que se trata de uma crítica ao CRISTIANISMO! Ta duvidando?? Olha aqui ó. Eu fico doente quando escuto essa música. E tenho MUITA vontade de passar com um trator em cima desses HEREGES desgraçados.

Então vamos lá... Recapitulando... O mundo ideal pra mim seria aquele onde as pessoas me veneram e me adoram e fazem as minhas vontades simplesmente porque eu sou legal. E somente algumas MUITO especiais têm o direito de citar qualquer coisa escrita por Fernando Pessoa.

To pedindo demais?

posted by Arlequina @ 9:02 PM   0 comments
 





10.02.2005

 
Ei, sabia que Therion tem uma versão de Summer Night City do Abba???? E o pior de tudo: é do caralho! E pior ainda: eu gosto da original também!

Sim, eu gosto de Abba, dá licença? Eu avisei ali do lado que meu gosto musical é peculiar... Pelo visto o do pessoal do Therion tb.

Então aqui vão as dicas do dia:

1. Procura aí no soul seek (ou genérico) a versão original AND a do Therion. Aí abre as duas no winamp (ou genérico) e fica revesando. Deixa tocar uma até um certo ponto aí clica na outra e bota mais ou menos do mesmo ponto, depois na do Abba, depois na Therion, depois no Abba de novo e depois no Therion. É escroto demais!

2. Assistam "Casamento de Muriel" e compreendam porque eu dei esse surto de Abba de uma hora pra outra. Culpa do Adel. E, sim, o filme é do caralho! O tipo de comédia que eu gosto e Hollywood não faz. E cult é seu caralho de óculos quadradinho com armação preta.

3. Me mandem arrumar o que fazer, porque são meia noite e um e eu to aqui revesando trechos de versões sinistramente diferentes de uma música brega.
posted by Arlequina @ 9:55 PM   0 comments
 




il libretto

 

Rss


"Em qualquer terra em que os homens amem. 
 Em qualquer tempo onde os homens sonhem.
 
                                                        Na vida."

Máscaras - Menotti del Picchia

 

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By Julia
Meu Melhor Amigo Gay
Quero te pegar sóbrio
Cara de Milho
Humano e Patético
Bodega da Loli
Café e Cigarros
Flor de Hospital
Diário de Trabalho
Homem é Tudo Palhaço
Vida Bizarra
A Casa das Mil Portas

 

clap

 

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Pérolas para porcos
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