2.28.2008

 
Ontem fui ver Juno com uma amiga minha, afinal não queria ficar de fora da sensação do momento. Taí um filme que nunca teria atraído minha atenção só pela sinopse. Até gosto de filme de adolescente, mas não valem meus suados 4,50 reais. Prefiro esperar passar na sessão da tarde. Mas ganhou o Oscar de melhor roteiro, teve todo aquele uiuiui porque quem escreveu a história foi uma ex-stripper, o Omelete disse que era do caralho, eu não resisti a essa teia de publicidade e fui. Saí com a nítida sensação de ter visto um episódio muito grande de Gilmore Girls sem intervalo e no cinema. Comentei com a minha amiga que foi comigo e adorou o filme. Ela discordou veementemente. Mas achei minha comparação tão óbvia que não resisti e fui pesquisar no google. Juno + Gilmore Girls pesquisar click. Pra minha não-surpresa, achei 121.000 links. E pelo menos os dez primeiros usavam a comparação para destacar o quanto Juno seria ruim e iverossímel.

Juno definitivamente parece um episódio grande de Gilmore Girls. O que pra mim, não é NEM UM POUCO ruim, porque eu AMO Gilmore Girls. "Ah, porque as pessoas não são ricas daquele jeito". Ok, mas deveriam ser. "Ah, porque as pessoas não falam daquele jeito". Ok, mas deveriam falar. "Ah, porque nenhuma mãe é como Lorelai Gilmore". Ok, mas TODAS deveriam ser!!! De vez em quando eu ligo a televisão e vou ao cinema não querendo ver o mundo como ele é, mas como ele deveria ser. E eu adoraria que meu mundo fosse igualzinho ao mundo Gilmore. Sério mesmo.

E eu sou muito viadinha no que diz respeito aos meus personagens preferidos, de filmes ou de séries. Tomo as dores mesmo. Choro, rio, fico com raiva, me irrito, perdôo. Fiz um escândalo no cinema quando vi Sin City inadivertidamente e encontrei minha IMACULADA Rory Gilmore emprestando sua cara e seu corpo para Becky, a putinha traíra. Deveria ter uma lei do audiovisual que proibisse certos atores de fazerem certos papéis depois de terem feito outro. Ai que vontade de entrar naquele telão e encher Rory de tapa! "Sua mãe sabe onde você está, menina?? Vou contar pra sua avó! O que eles vão pensar disso em Yale?! Vai lavar essa cara e botar uma roupa, cacete!". Ainda bem que Lorelai pelo menos nunca me deu esse tipo de susto.

Deus me livre, como gosto dessas duas. Rory é praticamente minha colega de sala de estar. Dividimos muitas tardes juntas na minha poltrona. Conheci ela no colégio, odiei Paris com ela, acabei ficando amiga de Paris com ela também, fiquei muito aborrecida quando ela brigou com a mãe quando foi repreendida por ter perdido sua virgindade com seu primeiro namorado (que no momento não era mais seu namorado e pior: era casado! que absurdo, Rory!), fiquei indignadíssima quando ela brigou com a mãe novamente porque largou Yale e foi morar com os avós. Nunca gostei de Lorelai com Christopher e adorei ela ter voltado pro Luke. Chorei quando Lorelai inaugurou o Dragonfly, chorei quando Luke a beijou pela primeira vez, chorei quando Lane saiu de casa, chorei quando Rory se formou na faculdade. Sobretudo porque nos conhecemos na mesma época de colégio e ela se formou antes de mim. Chorei porque faltava perspectiva na minha vida e na de Rory não.

Enfim, era só pra faezr um pequeno comentário sobre como gostei muito de Juno pelo mesmo motivo que as pessoas que não gostaram usam pra justificar a frustração (ou implicância). Recomendo a todos. Juno e Gilmore Girls.

E recomendo ao mundo que seja assim: igualzinho.


posted by Arlequina @ 11:34 AM   0 comments
 





2.26.2008

 
Q!

Hoje estava caminhando na calçada com a cabeça latejante e muito ódio no coração. Mas DEUS teve piedade de sua filha tão estressada e mandou um anjo encarregado da missão de desviar momentaneamente minha atenção para o absurdo do dia.

Na rua, enfileiravam-se milhares de carros ansiosos para a abertura do semáforo, enquanto eu caminhava na liberdade das minhas pernas no sentido contrário. Nos bancos da frente de um carro, um casal discutia freneticamente, chamando a atenção da avenida inteira. Quando de repente, me abre uma janela do banco traseiro DESSE MESMO VEÍCULO e salta uma cara masculina aparentemente normal, olhando pra mim. Então visualizem a cena: trânsito engarrafado, carro parado, casal discutindo na frente, cabeça pra fora no banco de trás que me diz:

- Tá sumida, você, né??
- Anh?
- Nunca mais apareceu...

????????

Percebam que isso não tinha a menor cara de cantada. O rapaz não fez cara de tarado, não fez "psiu", não tentou fazer qualquer voz sexy (ou aquele naipe de voz que alguns aborígenes ainda acreditam que seduzem alguém). A circunstância, inclusive, não favorecia qualquer cantada. O cara estava dentro dum carro parado num semáforo na companhia de um casal que discutia escandalosamente. Meu cérebro só conseguiu maquinar que aquele era um conhecido meu extremamente simpático, que fez questão de abrir o vidro do carro, a despeito de todo contexto desfavorável, só pra me cumprimentar. E eu, alma sebosa e individualista, não conseguia reconhece-lo. Nessas horas, apelo pra sinceridade.

- Desculpa, mas eu te conheço de onde?
- De lá do Clube do Constâncio, ué!

!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bem, é certo que isso faz muito mais (ou diria "menos?") sentido pra quem mora em Aracaju e sabe o que é o Clube do Constâncio. Mas tá ligado a Grande Família? Tá ligado o Paivence, o clube do Augustinho? Então. O Constâncio é tipo isso, só que muito, MUITO pior. Seria algo parecido com um baile funk carioca, mas com axé, forró e sem o glamour de estar na moda. Antes que eu pensasse em ter qualquer reação, o sinal abriu, o motorista pisou no acelerador com a mesma fúria que expressava na discussão com sua provável cônjuge e o maluco do banco de trás botou não só a cabeça, mas a metade do corpo pra fora e gritou (decepcionadíssimo):

- Eu sou o Ruy, pôxa!!!

Minha nossa senhora dos sanatórios! Por que esse tipo de coisa tem que acontecer comigo? Somente comigo?? E pior que o maluco foi tão convincente que por alguns milésimos de segundo cogitei a hipótese de ter desenvolvido uma dupla personalidade que se diverte fazendo amizades no Constâncio. No estress que eu tô, é bem capaz...

--

Outra versão para o post de hoje:

Cheguei em casa com a cabeça latejante e muito ódio no coração. Mas abri meu blog pra contar a história do maluco do Constâncio e me deparei com isso nos comentários do texto anterior:

Minha amiga me perguntou:
-Já leu "O caçador de pipas"?
-não
-muito bom, chorei muito
-Já leu "Beijo de Arlequim"?
-não, nem ouvi falar
-muito bom, eu rio muito.

Parabéns Arlequina!!!
Adoro isso aqui.

Bjs



Seja lá quem for Elaine, ela não tem idéia do quanto salvou meu dia. Meu dia que foi a gota d'água num mar gigante de estress causado por essa insistência de querer seguir uma suposta vocação de fazer as pessoas rirem, e a mesmo tempo me recusar a ser uma palhaça. Mas saber que pessoas gostam do que eu faço me dá sempre vontade de fazer mais e maior, mesmo me deparando com algumas decepções tão desestimulantes que me dão vontade de pintar o cabelo de castanho e estudar pra fazer concurso público. Enfim, vocês não têm nada com isso e aqui não é lugar de chorar mágoa. Quando eu finalmente conseguir rir de tudo que tá acontecendo na minha vida agora, juro que conto pra vocês, respeitável público.

Até lá, obrigada MESMO pela presença. E voltem sempre.
posted by Arlequina @ 6:34 PM   0 comments
 





2.16.2008

 
Pessoa humana

Dancei a noite toda na praia com meus amigos, ao som do MARAVILHOSO show do Dudu Nobre. Hora de ir embora, passamos no banheiro químico (era isso ou o mar) pra dar aquela mijadinha básica, evitando o aperto no carro durante o caminho de casa. No que brota da areia uma menina muito (MUITO) bêbada, trôpega e equilibrista, pergunta se o banheiro está vago e se joga lá dentro. Meia hora depois ela sai, ainda mais bêbada do que entrou, creio eu. E preocupantemente desorientada.

Fui oferecer minha humilde ajuda a fim de acumular bastante ponto positivo com os Karma Cops de 2008, afinal de contas, esse ano vou precisar mais do que nunca. E deu nisso aí:

Eu: Oi, cadê seus amigos?
Equilibrista (apontando para o vazio): Tão alí, ó.
Eu: Mas não tem ninguém ali não.
Equilibrista: É que eles tão meio longe, mas eu vou achar.
Eu: Você sabe mesmo onde eles tão, né?
Equilibrista: Sei, sei. É só ir reto que eu acho.

Como se "ir reto" não fosse uma das habilidades mais difíceis de executar nessa situação.

Eu: Ok. Vai pela sombra e não fale com estranhos.

Então ela dá dois passos, volta e pergunta:

Equilibrista: Ei, você é de onde?
Eu: Daqui mesmo.
Equilibrista: Ahhh, mentira. As pessoas de Aracaju não costumam ser solícitas! Você me ajudou, se preocupou comigo! Só pode ser de outro lugar.

Essa poderia ser a hora em que eu seria avisada sobre a existência de uma câmera escondida e que estaria participando de uma pegadinha. De preferência daquelas que dão prêmios em dólares às pessoas boas e solícitas que ajudam bêbados na porta do banheiro. Ou ainda, ela poderia se revelar Jesus Cristo, que teria se disfarçado de bêbada para testar a bondade humana, como sempre acontece naqueles contos cristãos e nas peças do Ariano Suassuna.

Eu: Po, mas eu sou daqui mesmo.
Equilibrista: Ah, então você é de algum movimento né?

Sou! Sou do movimento dos anjos do banheiro químico. Descobriram minha identidade secreta. Oh, e agora?

Eu: Movimento?
Equilibrista: É. Movimento. Tipo MST, UJS... Porque uma pessoa boa e prestativa em Aracaju, só pode ser de um movimento desses!

Meu. Deus.

Eu: Não, não. Não sou de movimento, não. Na verdade não sou nem tão boa, nem tão prestativa.
Equilibrista: Claro que é! Você nem me conhece e se preocupou comigo!
Eu: Mas se eu soubesse que você é universitária de MST, UJS, DCE ou qualquer coisa dessas, eu te chutava pra dentro do banheiro químico e ainda mandava soldar a porta, querida.
Equilibrista: Aaaaaah mentira!!! Você é uma pessoa boa! Nem adianta disfarçar!
Eu: !
Equilibrista: Desculpa encher o saco. Mas é que eu me emociono muito quando encontro pessoas assim... humanas, sabe? Isso é tão raro no mundo. Tão raro...

Ok. Quem sou eu pra contrariar alguém que quer tanto ter fé na humanidade. Afinal de contas, isso também é tão raro.
posted by Arlequina @ 11:54 AM   0 comments
 





2.06.2008

 
Título: Fatos reais.
Ou: Ópio do Povo.
Ou ainda: Coisas estranhas que as pessoas conversam entre si enquanto ignoram a minha presença.


Local: salinha de depilação

- E por que você não deixa ele, Clara?
- Mas Joana, você tem que entender que eu sou evangélica. Minha religião me obriga a dar a outra face. A segunda chance, a terceira, a quarta...
- Mas Clara, e seus filhos?
- Pois é, Joana, isso que me deixa triste, sabe? Você precisa ver a cicatriz que ele deixou nas costas do menino. Mostra aí, Felipe. Mostra, Felipe! Não quer mostrar... Tá com vergonha. Mas vem daqui até aqui, Joana.
- E bateu por quê?
- Porque ele deu um tapa na professora.

A menina interveio.

- Não foi assim não!! A professora quis dar um beijo nele e ele não quis, aí empurrou a cara dela. Aí ela saiu dizendo que foi um tapa. Mas não foi um tapa. Eu vi!
- Ah, mas Felipe sempre foi bem arredio né, Clara? Eu já disse, você tem que levar esse menino pro psicólogo.
- Não adianta não, Joana. O problema não está com ele. Está com a gente né? Enquanto o menino ficar vendo o pai chegando bêbado em casa e maltratando a mãe, ele vai ser estranho mesmo.
- E a Vitória?
- Que que tem?
- Ele não bate na Vitória?
- É ruim viu! Ele sabe muito bem que se encosta um dedo na menina o pai dela cobre ele de porrada. Só bate no Felipe. Em mim e no Felipe.
- E o pai da Vitória te ajuda?
- Que ajuda nada! Vou te contar viu... Eu dei foi azar com homem... Por isso que não adianta largar ele, Joana. Deus castiga. Manda outro pior. Eu preciso aprender a perdoar. Acho que é isso que Deus quer pra minha vida, sabe? Ele tá me testando.

-

Local: ponto de ôniubus

- ...e pior de tudo que o desgraçado era pastor! Vê se pode. Pastor! Diz que esses artistas famosos, Xuxa, Gugu... Tudo foram ter com ele antes da fama.
- Mas ele ganhou o que em troca?
- Eu sei lá o que esse povo que anda com Satanás tem em troca! E o pior, Geraldo, é que ele tinha uma filha com a própria irmã!
- Sério??
- Com a própria irmã!!!
- Deus é pai!

-

Local: consultório da ginecologista.

- Mas ainda bem que a gente tem uma religião, né, Marleide? Porque eu fico vendo esse povo errando por aí, tudo perdido, sem rumo...
- Ah é, Cristina, mas você tem que entender que nem todo mundo tá preparado pra ouvir a verdade.
- A palavra de Deus aí tão fácil, né? Hoje em dia tem na televisão, no rádio, na internet... Só não ouve quem não quer. E tanta gente insiste em não ouvir. Perde tanto tempo vendo besteira.
- Ainda bem que a gente vive bem acordada.
- Graças a Deus.
- Graças a Deus.
posted by Arlequina @ 3:13 PM   0 comments
 




il libretto

 

Rss


"Em qualquer terra em que os homens amem. 
 Em qualquer tempo onde os homens sonhem.
 
                                                        Na vida."

Máscaras - Menotti del Picchia

 

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Ai Minha Santa Aquerupita!
By Julia
Meu Melhor Amigo Gay
Quero te pegar sóbrio
Cara de Milho
Humano e Patético
Bodega da Loli
Café e Cigarros
Flor de Hospital
Diário de Trabalho
Homem é Tudo Palhaço
Vida Bizarra
A Casa das Mil Portas

 

clap

 

Opera Bufa
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