10.30.2009
Mangiamo, principessa!
 
- Buona sera, bimba!
- Oi, amore! Que saudade... Mal podia esperar por esse jantar.
- Anche io, mio cuore... É um piacere cozinhar pra você, bella bambina mia! 
- Ai, eu me derreto toda com esse seu italiano... Fala mais, vai...
- Cosa volete che io parli, principessa?
- Ai, não sei, qualquer coisa...
- Posso parlare di non aver mai amato nessuno così tanto!
- Aaaaai, que lindo, meu amor! Eu também nunca amei ninguém tanto assim.
- Tu sei la più bella principessa del mondo!
- E tu sei o italiano mais gostoso desse universo, meu amor!
- Voglio trascorrere tutto la mia vita con te!
- Eu também, ragazzo, eu também! Vamos casar no Vaticano, passar a lua de mel em Veneza, fazer compras em Milão...
- Come volete, bimba.
- Vamos ter dois bambinos: Alonzo e Pietra.
- Si, si, due belli bambini.
- Ai Dio mio, como eu te amo, meu amor!!
- Quer mais vino, piccola?
- Claro, claro.
- Salute!
- Saúde, amore mio!
- Un pezzito di pau?
- Anh?
- Pau.
- Pão!
- Isso, principessa. Pau.
- Pão. Aaaaaaão. Repita comigo: ão.
- Au.
- Aaaão.
- Aaal.
- Como se fala pão em italiano?
- Pane, principessa.
- Então fala pane mesmo.
- A pizza é pronta, amore.
- Ai, eu aaaamo pizza! Que cheiro bom, bambino! É de quê?
- Marguerite.
- É minha preferida, meu amor!
- Bon appetit, bimba.
- Mas amore... tem ketchup?
- Chè?
- Ketchup... ai, como se diz ketchup em italiano? Não sei... ketchup, pomodoro...
- Mas já há molho na pizza, principessa!
- Eu sei, mas eu gosto com ketchup também.
- Mas prova o molho primeiro.
- Por que? Eu sei que vou querer ketchup de qualquer jeito.
- Ma chè!
- Ma chè o quê?
- Não precisa de ketchup!
- Mas a pizza é minha, sou eu que vou comer, eu como do jeito que eu quiser!
- Mas foi io que fiz la pizza! Com tanto carinho para te!
- E eu agradeço e vou comer tudinho! Mas só como pizza com ketchup.
- Cazzo! Ninguém vai botar qualcuno ketchup na mia pizza!
- Não é na sua, é na minha! Deixa de ser chato, que saco!
- Questa è una mancanza di rispetto per il cuoco!
- Num to entendendo nada, querido. Fala em português e me dá o ketchup.
- Non há ketchup!
- Então não como a pizza!
- Ma chè?!
- É isso mesmo.
- Sei uma bambina molto mimada! Tutto deve ser come tu vogli!
- Mimado é você, seu filhinho de mamãe.
- Cosa parla acerca di mi mama??
- Parlo que ela te criou cheio de frescura. Metido!
- Non parlare della mia famiglia, porca putana!
- Porca putana é o cacete, bambi de merda!
- Bagachia! Zoccola!
- Enfia essa pizza no rabo!
- Fuori di casa mia!
- Com muito piacere, idiota!
- Vaffanculo!
- Vai você!
posted by Arlequina @ 10:27 AM   6 comments
 





10.16.2009
Você também me lembra a alvorada
 
Mau humor. De fato, a situação tá ruim assim mesmo, como parece. O tempo está acabando, o cerco está fechando, não há muito o que fazer a não ser esperar por um milagre que vai jogar a vida pra onde eu quero que ela vá, já que eu mesma tô a um passo de largar o guidão. To irritada, to estressada, to chateada, to incomodada, to fechada, to ignorante, to reclusa, não to de TPM, to no banho e o telefone toca.

- Alô.
- Tá de mau humor né?
- Como você sabe?
- Eu conheço o seu alô mal humorado.

Medo.

- É que eu tava entrando no banho.
- Só isso?
- Não. To de mau humor.
- Mas vai melhorar agora!
- Por que?
- Porque amanhã a gente vai na Mangueiraaaa!
- Q?
- Mangueiraaa!
- FAZER O QUÊ??
- É festa de lançamento do samba-enredo do carnaval do ano que vem!
- É?
- É! 
- É perigoso andar lá de noite!
- A gente vai cedo.
- E como a gente vai voltar?
- Não volta!
- Não volta?
- Não volta! Sambamos até de manhã e voltamos quando estiver claro.
- Até de manhã?
- ATé de manhã! Alvorada lá no morro, que beleza... Ninguém chora, não há tristeza... Ninguém sente dissabor...
- Então vamo!
- Formô!
- Formô!
- Amanhã te ligo, então!
- Valeu!

Graças a deus que, dentre tantos lugares no mundo pra eu estar desesperada, eu estou desesperada no Rio. E em ótima companhia...

Sorte minha. =)
posted by Arlequina @ 2:10 PM   3 comments
 





10.14.2009
Cuaderno de Pesca – Parte 2 – O Centro
 
Quem não tem Barcelona...

Amo cidade grande. Amo o caos e corre-corre do centro de cidade grande. Amo o contraste, a loucura, os desencontros e as surpresas do centro de cidade grande. E, além disso tudo, o Centro de Buenos Aires tem charme.

Os prédios que dão a impressão de se estar em Barcelona, mesmo pra quem, como eu, ainda não teve a sorte de ir a Barcelona. As fachadas art nouveau tão conservadas que parecem ter sido construídas anteontem, ou parecem que os anos 20 foram anteontem e eu estive lá tomando vinho com Carlos Gardel. As multidões de porteños cheios do charme e elegância de quem perdeu posição econômica, mas ainda mantém a espinha ereta. Porteños...




Porteños: futebol, política e mullets

Aliás, sabe por que os homens porteños usam mullets? Porque podem. Duvido que qualquer outro ser humano no mundo fique bem com esse corte de cabelo. Mas, impressionantemente, esses lindos príncipes esbeltos, alvos e de olhos azuis, continuam charmosos mesmo com aquela sobra de cabelo nonsense na nuca.

-

Obviamente o Maradona é uma exceção.

-

Eu tirava foto de uma pintura tosca escrita Mi Buenos Aires Querido numa banca de jornal, quando um velho desconhecido parou perguntando se eu era brasileira, se torcia pro Flamengo, se conhecia Brasília. Não que ele estivesse necessariamente interessado em alguma resposta, porque falou sem parar sobre Buenos Aires e Brasil num castelhano até bem fácil de entender e, depois de uns dez minutos de monólogo, disse que estava muito apressado e foi embora, me deixando com cara de “anh?”.

Pelo menos dentro da minha experiência, o senhor falante não foi uma exceção. Os porteños que cruzaram meu caminho me pareceram simpáticos, educados e prestativos. Nada daquele mito do arrogante nojento que circula por aqui.

-

E é de tardezinha que os protestos começam na Plaza de Mayo, na 9 de Julio, na Cordoba, em todo lugar. Contra a corrupção, aumento de qualquer coisa, falta de moeda, injustiça social, perigo no trânsito, bueiros abertos, sucateamento de alguma faculdade, não importa. O porteño sempre tem um motivo pra fechar uma rua e organizar uma passeata. Eles carregam faixas, pintam a cara, gritam, berram, cantam, batucam e pouca gente dá atenção. Aparentemente, grupos de protesto ficaram tão banais nas avenidas do Centro de Buenos Aires, que passam batido pelos não engajados. Estes andam pelas ruas desviando de passeatas no caminho como quem desvia dos dançarinos de tango que se apresentam na rua Florida em troca de gorjeta dos turistas. De certa forma, é meio triste.





Coisas estranhas

Era uma vez, um planeta muito distante chamado Azazel. Um belo dia, alguns dos seus habitantes foram selecionados para a nobre missão de espalhar o caos e a destruição na Terra. Após ganharem corpos e formas humanas, seguiram dentro de um foguete para o centro de treinamento chamado Brasil. Por algum descuido, o foguete acabou caindo em um buraco negro conhecido pelos terráqueos brasileiros como Aracaju. Apesar do ambiente extremamente desfavorável, a família Azazel vingou, cresceu e dispersou-se. Hoje podem ser encontrados em vários pontos estratégicos do mundo, cumprindo a nobre missão para a qual foram enviados. De vez em quando, por acidente ou destino, acabam se cruzando em locais aleatórios e improváveis.

E foi assim que eu andava tranqüilamente nas ruas de Buenos Aires, quando ouvi um “Hola!”, virei pra ver, e era a Marcela.

Buenos Aires, 01 de Outubro de 2009.
posted by Arlequina @ 1:31 PM   1 comments
 





10.08.2009
Cuaderno de Pesca – Parte 1 - No Aeroporto
 
A Sacolinha Transparente

Quem já viajou pro exterior sabe a frescurada que eles têm no aeroporto com negócio de líquido. Não pode levar nada na bagagem de mão que contenha mais de 100 ml. Se contiver menos de 100 ml, beleza, mas tem que vir dentro de uma sacolinha transparente que você adquire no próprio aeroporto. Se nunca entendi qual é a lógica dessa sacolinha transparente, hoje em dia entendo menos ainda.

Quando passei minha bolsa pelo raio X, identificaram um perigosíssimo frasco de Rexona roll on que eu tinha esquecido que tava lá. O cara disse que eu não poderia embarcar com aquilo sem a tal sacolinha transparente. Eu disse que ele podia ficar com o desodorante, que tava com preguiça de voltar no guinche da GOL pra buscar sacolinha. Aí ele passou um rádio pra uma superior que chegou usando LUVAS pra manipular meu tão perigoso Rexona roll on. Ao verificar que se tratava realmente de um desodorante, não de uma bomba, a mulher disse que eu deveria arrumar uma sacolinha transparente pra botar o Rexona dentro. Pela milésima vez, eu falei que NÃO QUERIA IR BUSCAR SACOLINHA NENHUMA, PODEM FICAR COM O REXONA, ME DEIXEM EM PAZ AAAH! No que a moça vira e diz “Você não tem nada aí na bolsa pra botar o Rexona dentro? Nem uma nécessaire?” Eu tinha uma nécessaire. “É transparente?” Era meio que transparente. “Serve!” Aí a maluca botou o Rexona dentro da minha bolsinha de maquiagem, botou a bolsinha de maquiagem dentro da minha bolsa de mão, passou a minha bolsa de mão pela esteira do raio X e, pronto, estou liberada pra seguir em frente. Perguntei se eu não poderia tirar o Rexona da bolsinha de maquiagem nunca mais. “Somente quando sair da área de embarque, senhora.”

Gente, como assim?? Rexonas explodem se estiverem fora de sacolinhas transparentes na área de embarque internacional? Não resisti e fui ao banheiro testar. Tirei o desodorante de dentro da nécessaire e não explodiu. Embarquei com ele fora da nécessaire (vejam como sou rebelde) e, além da super emocionante sensação de estar cometendo um ato contraventor, nada de anormal me aconteceu durante o vôo. Será que isso é algum tipo de superstição das companhias aéreas? Se for, pode avisar que já testei e não procede. No dia 11 de setembro de 2001 certamente havia algo além de desodorantes fora de sacolinhas transparentes naqueles aviões.


...



Auto-controle no Duty Free

Eu não preciso de um pó da Lancôme. Eu não preciso de um pó da Lancôme. Eu não preciso de um pó da Lancôme. Eu não preciso de um pó da Lancôme. Ta barato. Mas eu não preciso de um pó da Lancôme. Nem de um lápis MAC. Ta muito, muito barato, mas eu não preciso de um lápis MAC. Não preciso de um lápis MAC. Nem de um pó da Lancôme. Não preciso de um 212 Sexy Carolina Herrera. Nem de um lápis MAC. Nem de um pó da Lancôme. EU NÃO PRECISOOOO!! AAAAH QUE HORAS O VÔO SAAAI?????

...


Waiting Room

Odeio gringo velho com cara de tarado. Quanto mais gringo e quanto mais velho, mais cara de tarado e mais eu odeio. Gringos deveriam morrer todos aos 35 anos de idade. E os que engordam e ficam carecas, antes.

...

Opa, finalmente o avião chegou.

Aeroporto de Congonhas, 23/09/09
posted by Arlequina @ 3:54 PM   1 comments
 





9.23.2009
Beatles ou Rolling Stones?
 
Antigamente ir ao dentista era sinônimo de dor e tortura. Lembra daquela musiquinha (FANTÁSTICA) que o Steve Martin cantava sobre as alegrias de ser um serelepe dentista sádico no (FANTÁSTICO) filme A Pequena Loja de Horrores? Então.

Mas hoje em dia as coisas estão modernas e a anestesia fortíssima que eles aplicam sem nenhuma prudência deixando a sua cara inteira dormente por 50 horas não permite mais a mesma emoção. Então o dentista precisa se divertir de alguma maneira alternativa, não é mesmo? É justamente por isso que eles enchem a sua boca de ferro e algodão e começam a fazer muitas e muitas perguntas. Claro que não são perguntas que você possa responder com "sim" ou "não", balançando a cabeça ou levantando o polegar. São perguntas como "E seu pai, como está?", "E seu irmão, se forma quando?", "E você, viaja quando?", "Mas e o presidente das Honduras, hein, que situação. O que você acha dessa história toda?", "Você prefere Beatles ou Rolling Stones?"...

E o mais legal é que o meu dentista faz a pergunta, dá ele mesmo a minha resposta, argumenta contra a minha (?) opinião e no final (claro) sempre vence a discussão (?). Isso me irrita TANTO que, sinceramente, eu prefiro os velhos tempos do sadomasoquismo.

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Anedota do dia:

Um brasileiro, visitando Buenos Aires, sai para passear com seu amigo argentino, que o leva para conhecer o famoso Obelisco. Maravilhado, o brasileiro, comenta:
- Que belo monumento! Olha só o tamanho!
O argentino pergunta:
- Sabes o que foi usado de modelo para fazê-lo?
- Não imagino algo tão grandioso... - responde o brasileiro.
- Foi o meu pau! - diz o argentino, com um sorrisinho sacana.
O brasileiro saiu puto da vida com o cara, esbravejando. No dia seguinte ele telefonou para o amigo e combinaram de encontrar-se na mesma praça. Quando o argentino chegou, viu o brasileiro com mais 10 pessoas, todos de mãos dadas, circundando o obelisco.
- O que é isso? O que vocês estão fazendo? - pergunta o argentino, curiosíssimo.
E o brasileiro, com a cara mais cínica do mundo:
- Estamos tentando calcular o tamanho do cu da tua mãe!!!

Riu? Não importa. Foi só pra criar um clima pra comunicar que estou indo pra Buenos Aires Y Montevidéu amanhã. Se deus quiser, daqui a dez dias estou de volta com muitas bizarrices pra contar. Meu mochilão tá pronto e minha camisa da seleção brasileira está esticadinha no cabide, esperando pra pisar nas terras do Maradona com a maior cara de "Hasta la vista, Copa!"

Adiós, muchachos!
posted by Arlequina @ 6:51 PM   3 comments
 





9.22.2009
Happiness is a warm gun
 
Ela gosta das coisas do mundo, é verdade. Mas vício mesmo só um: acabar de chegar. No torpor do acabar de chegar, as cores são fluorescentes, os objetos saltam, os rostos são lindos, as pessoas interessam, os sonhos são possíveis, o abismo é flutuante, toda boca sorri, todo olho brilha, todo barulho canta e a música entra no estômago, e vai subindo até os neurônios, e faz a cabeça explodir de vontade de abraçar o universo. Quando acaba de chegar ela é rica, é alegre, é corajosa, é linda, é dançarina, é rainha, ela pode tudo, ela sabe tudo, ela vai com tudo, ela ama tudo. Ela grita, ri, gargalha, lembra da saudade e até a saudade é boa. Cada membro que se move pra qualquer lugar que seja é um orgasmo. E ela não precisa de nada, nem de você, porque ela tem o mundo.

Quando o efeito vai desbotando, só sobra a vida mesmo como ela é. Mas quem tem um vício, só o tem porque a vida mesmo como ela é não serve. Dói. Espreme. Irrita.

Felizes os que podem ficar. Ela está sempre indo porque só conhece a paz quando acaba de chegar. Onde, é o de menos.



Pra Chris, que padece do mesmo mal e também está sempre chegando. 
Aliás... pra todos os arianos, esses malditos.
posted by Arlequina @ 12:03 PM   0 comments
 





9.20.2009
nabalada.com
 
CENA 01 - EXT. - TERRAÇO DA DDK – NOITE


Arlequina e Colombina estão dançando ignorando o resto da festa.
Mané se aproxima da Arlequina.

Mané (sorrindo):
Oi.

Arlequina (séria):
Oi.

Mané:
Vocês são lésbicas?

Arlequina (perplexa):
Hein?

Mané:
Vocês são lésbicas?

Arlequina:
O QUÊ???

Mané:
VOCÊS SÃO LÉSBICAS???

Arlequina (PASMA):
Pergunta a ela!

Mané (se dirigindo à Colombina):
Vocês são lésbicas?

Colombina:
!

Mané:
Não são não né?

Colombina (com a simpatia e o carisma que deus lhe deu):
Cara, como assim?
Gente, que abordagem é essa???
Isso não é jeito de puxar assunto
com uma mulher, menino!

Mané:
Ah, eu já vi tanta coisa nessas baladas
que nem duvido de mais nada!

Colombina:
Não interessa! Isso é muito feio!
O jeito certo de começar uma
conversa sempre é "oi, tudo bom?"
Onde já se viu um negócio desse?
Eu hein! Dá uma volta,
volta aqui e tenta de novo!

Mané:
Ok.

30 segundos depois...

Mané:
Oi.

Arlequina:
Oi.

Mané:
Tudo bom?

Arlequina:
Tudo.

Mané:
Meu nome é Mané.

Arlequina:
Meu nome é Arlequina.

Mané (abraçando a Arlequina com cara de pedreiro):
Prazer. Queria te dar um beijo...

Arlequina:
Foi mal, a gente é lésbica.
posted by Arlequina @ 10:02 AM   2 comments
 





9.13.2009
Muda o cenário, fica o roteiro
 
Nem me lembrava a última vez que tinha ido a um aniversário de criança. Acho que eu mesma era criança, provavelmente. Mas dessa vez não pude escapar e tive que responder à chamada na festa de dois anos do meu priminho. Pior ainda: nas DUAS festas, porque além da pequena reunião familiar pra ver Papai do Céu na novela, também rolou um babado num salão cheio de firula.

Gente, as coisas mudaram bastante desde os tempos do cajuzinho e croquete hein? Hoje em dia salão de festa infantil parece o Tivoli Park! As crianças andam de trenzinho voador e cabum, os garçons fazem gracinhas e servem empanados de camarão com catupiry e docinho folhado de chocolate branco da Cacau Show, os adultos jogam bilhar... Que que isso! Mas não pude deixar de observar que três coisas continuam  iguais ao que eram há 20 anos atrás. Não sei se é tradicional de família suburbana ou de festa de criança em geral, mas sei que elas estavam lá:

Salgadinho agridoce. Isso pra mim sempre foi um mistério. Ninguém, absolutamente NINGUÉM, gosta de pastel de carne moída com passas e açúcar. Ninguém gosta de bacon com ameixa dentro da empada. Por que esses salgadinhos horrendos insistem em aparecer nas mesas? Eles sempre ficam jogados no pratinho até o serviço de buffet começar a escacear. Aí alguma mão distraída acaba catando um por engano e a mesma mão retorna o petisco pela metade porque ninguém quer comer inteiro. Ou então a gente encontra vários desses partidos com as duas metades lá, porque sempre tem alguém que diz "Oooolha o que será isso aqui? Deixa eu partir um pedacinho pra ver... ECA! CARNE MOÍDA COM AMEIXA, QUE NOJO!" Toda mesa de festa tem um prato com esses salgadinhos rejeitados completamente mutilados. E o buffet nunca desiste de inclui-los no cardápio. MISTÉRIO.

A guerra das lembrancinhas. Aqueles enfeites que decoram as mesas também são um mistério pra mim. A idéia é que cada família convidada tenha direito a um, mas nunca rola assim. Tudo bem que eles têm ficado cada vez mais criativos, mas gente... POR QUE SE FAZ TANTA QUESTÃO DE ENFEITE DE MESA? Será possível que toda festa tem que ter uma briga de família seríssima porque o enfeite da mesa da tia fulana é mais bonito, na mesa da tia ciclana tem três enfeites ao invés de um, o tio beltrano tá levando enfeite pro filho dele que nem veio, etc etc? E quem gosta de verdade MESMO de ficar colecionando souvenir de festa de aniversário de dois anos? Acho o cúmulo da pobreza, prontofalei.

Tricotagem. No mais, o básico sempre rola. Quem tá mais gordo, quem tá mais magro, quem tá sumido e só aparece em festa, quem deu cria, quem morreu, que tá mais bonito, quem tá uma moça, quem chegou de namorado novo, quem tá mal vestido, quem tá de escova mal feita, quem bebe demais e faz barraco. No fim das contas, acho que só mudou mesmo o cenário. Pelo menos foi pra melhor. Agora salão de festa tem até sinuca, veja que coisa! Só pelo fato de ter tido o que fazer durante o show do mágico, já fiquei feliz. Melhor ainda com docinho da Cacau Show. :)
posted by Arlequina @ 11:17 AM   2 comments
 





9.08.2009
Eu boicoto o mal
 
Nesse fim de semana fui a uma feijoada duma galera universitária descolada em clima de paquera. Já tinha ouvido falar de um cara figuraça que estuda com esse pessoal e é famoso por tomar remédio controlado e falar verdades com licença poética. Foi de fato um enorme prazer conhece-lo pessoalmente, principalmente por causa do episódio que presenciei.

Uma das meninas da turma está grávida e começou a botar barriga agora. Quando ela chegou, imediatamente formou-se aquela roda de mulher em volta fazendo festinha, palpitando sobre o sexo do neném, querendo saber se chuta, se dá enjôo, se dá desejo, se engorda, etc etc. No que o tal carinha invade a conversa surpreso com a novidade e exclama: "Que liiiiiindoooo! Você tá graaaaaávidaaaa! Eu não sabiiiiaaa!". A mamãe orgulhosa abriu aquele sorrisão e apresentou o namorado, provavelmente esperando que ele também fosse congratulado pelo feito.

Mamãe: Olha, Asdrúbal, esse aqui é o meu namorado!
Asdrúbal: Você é o pai da criança?
Papai (meio sem-graça, meio orgulhoso): Sou...
Asdrúbal (seríssimo, encarando o papai): VOCÊ ESTÁ ESPALHANDO O MAL. O MAL!

Então virou as costas e saiu.

Todo mundo ficou com cara de bunda naquele clima "cri. cri.", que se desfez numa risada coletiva logo em seguida. "Aaaaaah esse Asdrúbal vem com cada uma né gente? Só ele mesmo! Rá rá rá!"

Eu ri. Mas ri querendo dizer que compreendo, que concordo, que acho certo, que ele é a pessoa mais sábia daquela roda de conversa, que loucura é procriar num mundo como esse. Como, infelizmente, a licença poética naquele recinto não era minha, deixa falar quem pode.
posted by Arlequina @ 8:03 PM   2 comments
 





8.31.2009
Onde desliga?
 
"Eram três horas da tarde. Peguei um tamborete e me sentei. O garçon apareceu. Cara de solitário. Não tinha sobrancelha nenhuma. Cruzinhas verdes pintadas nas unhas. Um tipo maluco. Não havia como evitá-los. A maior parte do mundo estava doida. E a parte que não era doida era furiosa. E a parte que não era doida nem furiosa era apenas idiota. Eu não tinha chance. Só aguentar e esperar pelo fim. Era trabalho duro. O trabalho mais duro imaginável." (Pulp - Bukowski)


Às vezes dói, né?
posted by Arlequina @ 11:23 AM   0 comments
 





8.26.2009

 
Amizade de segunda – parte 2

Com tanto stress pra comprar ingresso pro jogo do Vasco, meu sábio inconsciente resolveu fingir que nada de pior poderia acontecer depois daquilo. Eu fiquei entorpecida com a felicidade de rever meu amigão depois de anos, conhecer a namorada fofinha dele, botar fofoca em dia, falar pra cacete. Quando acordei do transe já estava no Maracanã cercada de vascaíno por todos os lados e gritando mentalmente “MEU DEUS DO CÉU O QUE QUE EU TO FAZENDO AQUI?” Mas era tarde demais.

O Anderson queria ficar na arquibancada onde as torcidas organizadas se organizam pra cantar músicas, fazer ola, soltar balões e eventualmente distribuir porrada em quem estiver do lado, vascaíno ou não. Mas GRAÇAS A DEUS os ingressos esgotaram e triste foi sua frustração por não realizar o sonho de sentar na torcida mais amigável e boazinha de todas: a Força Jovem. Daí ele cismou que, como a gente só podia ficar nas cadeiras, tinha que ser exactamente em baixo DAQUELA arquibancada da FJ, “pra sentir a energia.” Tratei de pensar rápido e arrumar um jeito de convencê-lo a ficar do outro lado do Maraca, porque eu sei lá o que a doce e amistosa Força Jovem tinha preparado em casa pra tacar em quem estivesse em baixo, em cima, aos lados, na frente. Se fosse só morteiro e xixi ainda seria moleza, mas o futebol é uma caixinha de surpresa e nunca se sabe a novidade que vai aparecer a cada jogo. Então mandei o caô de “Poxa, Anderson, olha lá que maravilha de ângulo! É melhor ficar de longe, porque aí você vê todo aquele espetáculo da torcida: tambores, clarins, bandeiras gigantes com um mascote feio roubado descaradamente do Iron Maiden, ... Vai ser muito mais legal!” Colou.

Aí começou o jogo e eu pensei “Ah, é só uma horinha e meia, rapidão passa, não vou nem sentir.” Pra me distrair, observava o que acontecia em volta. Ao meu lado, uns coroas comportados perceberam logo que eu era peixe fora d’água ali, puxaram assunto, acharam bonitinho eu estar passando por aquilo em nome da amizade e foram bastante simpáticos. Na minha frente, uma mãe novinha torcia fervorosamente e dava várias explicações muito detalhadas sobre regras de futebol e história do Vasco pro seu filho adolescente. Achei bonito. Já na cadeira de trás, um moleque com uns dez anos e sem nenhuma mãe mostrava que, além de já saber muito sobre futebol e Vasco, ele também era profundo conhecedor de palavrões e xingava toda sorte de impropérios imagináveis.

Aí o Vasco faz gol. Gritos, urros, batuques, abraços, Anderson tirando a camisa e girando no ar feito um maluco, e eu lá com cara de “É... gol, né...” A mesma cena se repete três vezes e eu sem saber onde botar a mão, o pé, a cara. Ressaltando que o time adversário era o Ipatinga, então goleada não é mais que obrigação, ok? Mesmo assim, é muito estranho estar num lugar onde TODOS vibram por um motivo em comum MENOS VOCÊ. Lembrei da sensação de quando tive que ir a cultos da Igreja Universal na época da minha monografia. Naquele caso era cool ser diferente, afinal eu era uma estudiosa, uma pesquisadora, uma intelectual. Mas ali eu era apenas uma flamenguista no meio de uma torcida do Vasco e isso não é NEM UM POUCO cool. E pra tudo ficar AINDA MAIS divertido, o moleque da boca suja farejou a minha presença e ficou fazendo provocações, gritando pros urubus que sobrevoavam o estádio: “Vai pra casa, urubu filha da puta! Flamenguista vai tomar no cuuuuú!” Ignorei. A gracinha foi piorando ao longo do jogo e lá pro meio do segundo tempo ele se esgoelava cantando uma música sobre o Flamengo ser time de “puta, viado e ladrão.” E eu fiz cara de “q!” e os coroas do meu lado riram e Anderson riu e a namorada dele riu e eu quis que um morteiro voador da FJ caísse em mim e me matasse.

Mas sobrevivi e cheguei em casa crente que tava abafando com a minha história. Acontece que as meninas que trabalham na loja do meu primo me desbancaram. Uma era macaca velha de Maracanã e a outra iniciante. Trajando lindas camisas oficiais do time, resolveram ir ao jogo de ônibus, partindo de um ponto EM FRENTE À SEDE DA FORÇA JOVEM. Segundo elas, o buzão estava tão cheio e zoado, que tinha gente em cima (EU DISSE EM CIMA!) do veículo. Daí a polícia pára a algazarra no meio do caminho, desce todo mundo, mão na parede, passam mais dois ônibus em semelhante condição, são parados também, aí sai confusão, aí sai tiro, aí elas saem correndo e de algum jeito conseguem chegar ao estádio, mesmo atrasadas. Não satisfeitas, as donzelas ainda sentam na arquibancada da FJ. Até que a bonitinha que nunca tinha ido ao Maraca - portanto não conhecia os hinos da torcida - toma um pescotapa dum malaca porque não está cantando, e resolve se mudar pra arquibancada branca. E o Anderson achando que pra ficar na FJ de boa era só aparecer com a cruz de malta no peito. Vai sonhando, paulista!

Aaaaah a paixão do brasileiro por futebol, hein... Que bonito é, né gente? Mas pra mim já deu, enchi o saco! Não quero ouvir falar de futebol nunca mais na vida até a Copa do Mundo, valeu?

Beijomeligaquandooflamengofizergol.
posted by Arlequina @ 7:30 AM   4 comments
 





8.24.2009

 
Amizade de segunda – parte 1

A minha conversa com o meu psicoterapeuta publicada no post abaixo dá toda a explicação introdutória do episódio que vou narrar. Mas, em minha defesa, preciso ressaltar que não sou essa mané toda com qualquer coleguinha. Digamos que existem umas três ou quatro pessoas com esse poder de hipnotizar meu Zé Pelintra e fazer florescer a SANTA que há dentro de mim. O Anderson está entre elas. Ajuda o fato de que há uns 3 anos não nos vemos e da última vez nos despedimos brigados (eu não me lembro bem o motivo, mas ele insiste que a culpa foi minha). Então, além de bajular esse mariquinha naturalmente, ainda havia certa sensação de dívida a pagar, que ele sabiamente implantou na minha cabeça pra usar num momento oportuno como este.

Resignada e com um carma a cumprir, acordei cedo em dia de chuva e saí rumo à fila quilométrica pra comprar ingresso pro Vasco e Ipatinga (QUEM?). O motivo da multidão sedenta por ingresso não é necessariamente o Vasco ser o time mais popular do Rio de Janeiro (até porque não é), mas esse seria um jogo de comemoração de 111 anos que o Vasco não ganha um título de aniversário do time. Meu irmão, que é legal às vezes apesar de vascaíno, ficou com peninha do metrô lotado que eu teria que encarar e se ofereceu pra me levar de carro ao clube do Fluminense, um dos pontos de venda. Pensei “Opa, maravilha, chego lá em vinte minutos, levo meu mp3zinho pra suportar uma hora na fila, o céu ainda tá só nublado, nem vai doer.”

Acontece que a Avenida Brasil estava engarrafada. Aliás, não apenas engarrafada. Estava parada, travada, congelada. A única coisa que se mexia ali eram os vendedores ambulantes de Biscoito Globo, que tiveram tempo de andar de ponta a ponta da avenida umas vinte vezes, enquanto os carros andavam uns 2 quilômetros a cada cinco horas. Quase que a gente fez as três refeições do dia compostas apenas de Biscoito Globo.

Enfim chegamos ao Fluminense. Meu irmão - que tem o gene da bondade, mas não o da otarice - me largou lá e foi embora. CLARO que nesse momento começou a chover. A fila nem tava tão grande, então AINDA MANTIVE O BOM HUMOR e segui em frente. Menina prevenida que sou, fui logo perguntar ao segurança se aceitavam Visa Electron, porque quem circula no Rio tem esse costume de não carregar na carteira pouco mais dos dez reais que a gente tem que dar pro ladrão em caso de assalto. Ele disse que sim, aceitavam Visa Electron. Abro meu guarda-chuva e me instalo no fim da fila. Quarenta minutos de dilúvio depois, chego ao caixa e a mulher diz que não aceita meu documento de meia entrada não. Então eu começo a perder o bom humor, porque dar dez reais pro Vasco ainda vai, só que VINTE já seria sacanagem. Reclamo, xingo, choro, chamo a caixa do lado, finjo que não percebo que todos os vascaínos do mundo querem me bater por ter travado o andamento da fila e finalmente convenço a mulher de me vender duas inteiras e uma meia. Aí estendo meu cartão pra pagar pensando “ufa, acabou!” quando ela me diz “Ah, a gente não aceita Visa Electron não!” TÁ DE SACANAGEM COM A MINHA CARA! Me dirijo ao mesmo segurança reclamando do absurdo, da injustiça, da desinformação, do desrespeito, da imoralidade, do senado, da crise nos EUA, da gripe suína, do descongelamento das geleiras. Até que ele fala “Calma. Você dobra ali à ixquierda na rua das Laranjeiras, anda um pouquinho e tem um Banco do Brasil. Aí você volta, fala comigo e vem direto pra esse caixa sem passar na fila de novo, ok?” Ta.

Sigo eu rumo à rua das Laranjeiras (só pra lembrar, DEBAIXO DE UM DILÚVIO), em busca do Banco do Brasil. Aí ando. Ando. Ando. E NADA DE BANCO! Nem do Brasil, nem 24 horas, nem caça níquel, NADA. Vinte minutos de caminhada depois, surge uma agência. Saco a porcaria do dinheiro e faço todo o percurso novamente (só pra lembrar de novo, DEBAIXO DE UM DILÚVIO). Olho pro segurança com uma cara de bandido da luz vermelha e ainda escuto “Nossa, você demorou!”. Eu resmungo que o banco não era exatamente “logo ali”. Então ele fala “Ué, mas virando ali À DIREITA tem uma agência! Tenho certeza!” Respirei fundo (pelo menos o mais fundo que o meu nariz entupido permitiu) e me dirigi ao caixa. Obviamente o pessoal da fila não sabia do meu combinado com o energúmeno do segurança e achou que eu tinha passado direto porque sou um charme de nariz escorrendo, tênis eslameado e capuz pingando. E começou a protestar em voz alta, muito alta. Ignorei e deixei que o segurança descascasse o abacaxi sozinho, porque eu já tinha tossido tanto que estava rouca e, mesmo se não estivesse, não gasto voz me explicando pra quem torce pra time de segunda divisão.

Comprei a porcaria dos ingressos e mandei a mensagem pro celular do meu amigo avisando que ele e a namorada podiam vir e, de preferência, trazendo um milhão de dólares pra me pagar de indenização por danos físicos, morais e psicológicos. Só o processo de comprar os ingressos foi tão estressante que eu SEQUER me dei conta de que o pior ainda estava por vir: O JOGO NO MARACANÃ! Mas isso é assunto pra segunda parte.
posted by Arlequina @ 3:31 PM   0 comments
 





8.21.2009

 
Se aproveitam da minha nobreza

deb says:
;*
anderson vem me visitar aqui no rio! :D

Raphael says:
quando anderson vai?

deb says:
amanha, caso eu compre ingresso pro jogo do vasco

Raphael says:
jogo do vasco?
e ele curte?

deb says:
aí a bestona aqui vai pra fila do ingresso ficar lá em pé duas horas, no maior vento e chuva, TÍSICA, pra ver o amigo que impõe CONDIÇÕES pra uma visita
diz ele que é muito vascaíno

Raphael says:
ué, você jogou esse mesmo argumento?

deb says:
ele disse que se eu não comprar o ingresso ele não vem

Raphael says:
oxe velho
estaile, ein?
e você me conta isso com cara de feliz
=P

deb says:
é pq eu sou assim, paga pau de amigo
vc nunca reparou não?

Raphael says:
uma coisa é isso, outra é ser OTÁRA
=P

-

Eu deveria ter aprendido na época de colégio.
posted by Arlequina @ 9:30 AM   0 comments
 





8.20.2009

 
De madrugada

Serguei: Eu sou um ser meio bissexual...
Jô Soares: Mas meio bi é mono!
posted by Arlequina @ 8:40 AM   0 comments
 





8.19.2009

 
Acho que Deus tá me castigando por eu ter dito por aí que a gripe suína era uma mentira inventada pelos americanos pra distrair o mundo e vender remédio.


Essa tosse não acaba nunca? :(
posted by Arlequina @ 1:24 PM   0 comments
 




il libretto

 

Rss


"Em qualquer terra em que os homens amem. 
 Em qualquer tempo onde os homens sonhem.
 
                                                        Na vida."

Máscaras - Menotti del Picchia

 

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Diário de Trabalho
Homem é Tudo Palhaço
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A Casa das Mil Portas

 

clap

 

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